quinta-feira, 1 de outubro de 2009

FORMANDO LEITORES

Estou participando atualmente de um curso de formação voltado para professores da rede municipal que se chama "Alafabetização e Letramento". Este processo de formação iniciou em setembro de 2009 e se estenderá até julho de 2010. Tratará basicamente de questões referentes a aquisição da lingua escrita, da leitura, da alfabetização e do letramento nas três séries iniciais no ensino fundamental de nove anos.Minha postagem de hoje está pautada fala da aula inaugural que tivemos com a professora Elaine Maritza que tratou sobre a FORMAÇÃO DE LEITORES nas nossas escolas. Entre outras questões, ela abordou os seguintes aspectos:
* Nós formamos leitores porque nenhuma outra forma de ler o mundo é tão eficaz e rica quanto a literatura.* A escola tem que ter consciência do seu real papel de formar leitores.

* Na Educação Infantil: a leitura literária é realizada diariamente, geralmente através de rodinha de leitura, contação de histórias com fantoches, avental, e outros recursos. O momento da leitura é marcado pela brincadeira e a diversão; é momento lúdico. A professora não precisa “justificar” o trabalho com a leitura literária. A leitura é realizada em almofadas ou tapetes, de forma descontraída.

* Nas séries iniciais, os momentos dedicados à leitura literária começam a ficar mais espaçados: agora o professor precisa “justificar” o tempo dedicado à leitura literária. A leitura literária deixa de ser momento lúdico e os livros passam a servir para “ensinar conteúdos” do programa de estudos. A literatura perde sua função.

* Criar condições de leitura não significa apenas levar os alunos à biblioteca uma vez por semana ou fazer uma indicação de livro por trimestre.* É importante criar uma atmosfera agradável, um ambiente que convide à leitura na própria sala de aula ou mesmo fora dela.

* Enfim, a leitura com o objetivo de formar leitores não pode ser um trabalho esporádico. Deve ser um trabalho de todos os educadores.

domingo, 20 de setembro de 2009

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

Apesar de ser ainda início do semestre, posso afirmar que realmente estou gostando das leituras propostas até então nas diversas interdisciplinas. A última realizada e que me chamou atenção foi de Ângela B. Kleiman, autora do texto “Modelos de letramento e as práticas de alfabetização na escola”. Ela aborda a questão do letramento como um tema recente e ao mesmo tempo marcante, ganhando força através de pesquisas e práticas que vem sendo realizadas acerca do assunto.

A escola, da forma como é vista hoje, ainda é o local onde se aprende a ler e a escrever, isto é, onde ocorre o processo de alfabetização. Porém devemos estar atentos ao fato de que esta mesma instituição, segundo a autora, apesar de ser a mais importante agência de letramento, não está preocupada com o letramento social e sim apenas com aquele formal, o escolar. Este equívoco está relacionado a diversos fatores, entre eles ao fato de que a escola julga apenas ser importante a aquisição de códigos para simples promoção do aluno na escola.

Outro aspecto relevante é que as práticas de uso da escrita na escola estão baseadas num padrão de letramento que é muitas vezes parcial e equivocado, considerando que há apenas uma forma de o letramento ser trabalhado com os alunos. Desta forma, a escola padroniza e classifica alunos como alfabetizados e não alfabetizados, não dando importância alguma com a forma que o aluno interage com as habilidades de leitura e escrita. Este modelo de letramento é denominado modelo autônomo.

O letramento social, por sua vez vai além daquilo que é proposto formalmente nos processos de leitura e escrita. Ele leva em conta toda a vivência e experiência que o educando tem de mundo, mesmo que isto envolva apenas aspectos relacionados à oralidade, pois entende que a ação do sujeito em cima de seus conhecimentos é que também vai facilitar seu processo de letramento. Nesta linha de pensamento caracteriza-se o modelo de letramento ideológico, que leva em conta que todas as práticas de letramento abrangem aspectos culturais e de poder que a aquisição da escrita representa.

Finalizando, acredito que a função que a escola tem a desempenhar está justamente na equalização de unir os dois processos: alfabetizar letrando e que para isso é necessário levar em conta as habilidades e conhecimentos que os alunos já trazem consigo, conscientizar-se de que as práticas de letramento diferem em relação ao contexto, pois envolvem entre outros, aspectos culturais e que este processo ultrapassa os limites das paredes escolares e deve considerar a função social que a escola tem: de contribuir para uma sociedade melhor.

Particularmente, já havia ouvido falar vagamente sobre o letramento, mas não tinha ainda um conceito formado a respeito deste tema. Hoje percebo que não podemos enquanto educadores alfabetizar nossos alunos sem letrá-los, pois os dois processos são complementares numa alfabetização funcional. Estou num curso de formação continuada promovido pelo Mec em parceria com a Universidade Pernambuco e a Smed do nosso município que se denomina Alfabetização e Letramento e apesar de estar no início promete trazer muitos conhecimentos e trocas de experiencias com colegas. Com certeza isto vai enriquecer minhas contribuições.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

NOVAS APRENDIZAGENS...

A interdisciplina de Educação de Jovens e Adultos me deixou com expectativas muito positivas, principalmente após a aula presencial do dia 02/09 e a leitura do parecer CEB 11/2000, apesar de ainda não concluída, me possibilitou ver a realidade da EJA no nosso país. A seguir alguns tópicos sobre o assunto:

* Nosso país ainda possui um número expressivo de analfabetos e por isso é preciso que a EJA ajude a fomentar a educação de base para as pessoas que não puderam estudar ou completar seus estudos.

* Representa uma dívida social para com aqueles cidadãos que auxiliaram com a sua força de trabalho a sustentar o país.

* As raízes dessa falta de possibilidade de escolarização se deve a ordem histórico-social. Na época, a elite dirigente excluiu um grupo( indios, negros...) de exercer sua cidadania plena.

* Neste momento é possível ajudar a diminuir essa discriminação, dando chances de igualdade no mercado de trabalho, valorizando a autoestima e o exercício do pensamento.

* A EJA precisa ter um modelo pedagógico próprio, para satisfazer as necessidades de jovens e adultos.

* Algumas funções da EJA: equalizadora, no sentido de igualdade de oportunidades e também a função qualificadora nos faz entender que sempre é tempo para se desenvolver, constituir conhecimentos, habilidades e competências.

* Tenho uma pequena experiência com Eja, mas que de uma forma geral posso resumir em duas palavras: uma experiência ÚNICA e ENRIQUECEDORA.

* O trabalho com alunos da EJA é antes de mais nada, um trabalho social e de resgate, principalmente da auto estima de sujeitos tão sensíveis e ao mesmo tempo carentes de conhecimento.

* Na época em que trabalhei com a EJA não tinha muito acesso a materiais de qualidade. No entanto, sempre procurei dar o meu melhor, muitas vezes indo buscar alunos em casa.

* Alunos da EJA geralmente são mais resistentes a aprendizagem do que as crianças, mesmo que sejam etapas semelhantes e possuem mais dificuldades, mas quando a aprendizagem ocorre é lindo.

* Vejo agora que todo material oferecido por esta interdisciplina vai trazer a tona momentos vividos por mim em outros tempos e isto vai fazer com que eu reflita sobre os meus erros e acertos na prática docente.

* Isto, por si só, já basta para que eu possa compartilhar aprendizagens com colegas, tutores e professores e me preparar melhor para uma futura experiencia com a Eja novamente, o que com certeza me deixaria muito feliz.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

INICIANDO O VII SEMESTRE

Iniciar mais uma etapa do curso causa sempre um certo entusiamo e ao mesmo tempo ansiedade.
Espero realmente que este semestre seja mais tranquilo em todos os sentidos.
Da minha parte tentarei estar mais comprometida com as atividades, apesar de que na maioria das vezes sou responsável.
Na verdade, olhando para trás, percebo que é no decorrer dos semestres que o meu entusiamo em relação ao curso diminui e aí acaba caindo a qualidade das atividades. Também acho, e aproveito aqui para expressar isso, que algumas coisas do curso poderiam ser mais simples, pois percebo que há algumas coisas (tarefas) que fazemos por fazer, um pouco sem sentido. Espero que isso sim mude.
Nossas aulas presenciais também devem ser mais proveitosas, pois muitas vezes ficamos só no "bla bla bla" e não discutimos coisas mais importantes e pertinentes.
No mais, ja percebi que as disciplinas deste semestre serão bem interessantes, deu pra perceber pelos textos já disponíveis. Os temas são interessantes e pertinentes a realidade cotidiana da escola e a interdisciplina referente ao EJA é a que mais me interessa, pois trabalhei apenas uma vez com jovens e adultos, mas considerei o resultado compensador.

sábado, 13 de junho de 2009

LITERATURA INFANTIL

Estou fazendo um curso de formação em Literatura Infantil e no último encontro trabalhamos com poesia HAI KAI.
Eu nunca tinha ouvido falar nisso e acredito que muitas pessoas também não, por isso transcrevo aqui alguns tópicos que para mim foram importantes e que compartilho as idéias.

* Os poemas HAI KAI são de origem japonesa
* Eles não precisam necessariamente ter rima
* São compostos SEMPRE de três versos
*Geralmente falam da natureza
* Podem ser usados com crianças de qualquer idade
* São porta de entrada para se trabalhar com poesias
* Na educação Infantil podem ser trabalhados apenas oralmente
* Podemos trabalhar com expressão corporal a partir deles, solicitando que os alunos através de gestos expressem o poema para que os demais descubram de qual poema se trata
* Podemos dar a primeira parte de um Hai Kai e pedir que os alunos o concluam e após exponham ao grupo.

ALGUNS HAI KAI:

Girassol,
Flor da manhã
A menina dos olhos dança
( Fred Maia)

Tarde de vento
Até as árvores
Querem vir para dentro
(Paulo Leminski)

Dia de chuva
Minha rua
Vira parque de diversões
(Alexandre Brito)
O sol apressado
Epalha a dourada toalha
Pelo chão molhado
(Eno Wanke)


A lua na montanha
Gentilmente ilumina
O ladrão de flores
(Basho)

VIOLÊNCIA E PIAGET

Gostei muito do texto da aula de Psicologia: Significações de violência na escola... ( de Jaqueline Picetti), pois pude constatar através dele que realmente algumas questões que denominamos como onda de violência escolar, são na verdade, crianças desenvolvendo o seu senso de moralidade, de justiça, isto é, se testando. É claro que a interferência do professor neste sentido, faz toda diferença, afinal é a partir da auto reflexão e auto crítica que o aluno constrói seus conceitos morais. Porém, não podemos também deixar tudo assim, como sendo apenas desenvolvimento, por isso que relato aqui uma experiência por mim vivenciada e que gostaria de compartilhar.

RELATO
A situação que logo me surgiu ao ler a proposta da atividade foi uma vivenciada por mim no ano letivo de 2008 com alunos da 4ª série do Ensino Fundamental. Na verdade, a situação ocorreu na quadra poliesportiva da escola e não especificamente na sala de aula, porém como foi durante a aula, gostaria de relatá-la.
Eu era professora P2 de duas turmas da 4ª série e ficava 2 horas em cada grupo na mesma manhã. Naquele dia o professor de Educação Física que também revesava nas turmas, havia faltado na escola e eu tinha agendado com a supervisão para olhar um filme com uma das turmas. O filme era sobre amizade – tema que estava trabalhando com os dois grupos. Como não poderia passar o filme para o segundo grupo em função do tempo, pois no período da aula deles havia a ida ao refeitório e recreio, tive a idéia de unificar as duas turmas (que eram pequenas) para assistir o filme proposto. Para mim facilitaria o trabalho, pois depois iríamos para a quadra fazer educação física.
Ficamos eu e mais a substituta com as duas turmas e no momento da educação física os meninos tiveram um tempo para usar a quadra e depois as meninas. No momento que as meninas jogavam futebol, um dos alunos (que aqui denominarei apenas como A.) começou a provocá-las verbalmente e mais a uma menina especificamente. Então quando uma menina fez um gol e elas entraram em discussão para ver se era impedimento ou não, ele deu-se o direito de entrar na quadra e ir mexer no painel de pontuação. Uma delas não gostou e pediu para A. sair do campo, pois elas respeitaram o momento anterior que era deles (frase de uma delas), porém ele não deu ouvidos e continuou a provocar. Nesta altura tanto eu quanto a outra professora já estávamos chamando sua atenção mas ele, apesar de ouvir, não modificava sua atitude. Foi então quando de repente a mesma menina que pediu para A. sair foi em sua direção e levantou o braço, num gesto pedindo para que ele realmente saísse. O aluno A. se enfureceu de tal forma, partiu para cima da menina, jogou-a no chão, e começou a golpeá-la com socos muito violentos. Ele foi dando vários socos e todos na face. Foi tudo tão rápido que mesmo eu correndo de um lado, a substituta de outro e mais um aluno não conseguimos impedir e para acalmá-lo eu o puxei pela blusa (que rasgou) e um aluno o segurou com o auxílio da outra professora. Eu fiquei com ele depois que o tiramos de cima da menina e perdi meu controle, gritei muito com ele, enquanto a professora socorria a menina e limpava o sangue do seu rosto. O resultado disso foi a mãe da menina indo a delegacia fazer uma ocorrência, além da menina ter faltado aula durante duas semanas em função do traumatismo ocular que ela teve. Seu rosto ficou horrível! Durante 18 meses ela fez acompanhamento com oftalmologista que eu a levava sempre, pois até este período havia chance de ficar sequelas e nós professoras tivemos que pagar parte do tratamento, pois a direção não tinha de onde tirar recursos.

Quando relato esta história, é para mim uma forma de desabafo, pois eu nunca tinha vivenciado algo parecido em função da violência de um aluno por nada, quero dizer “quase nada”. O que ocorreu ali jamais para mim vai ter justificativa, pois com um gesto que a menina fez para A. e ele ficou assim transtornado.
É claro que a situação descrita acima traz incutida em si questões muito individuais que A. trazia de sua vida tanto familiar quanto escolar. Ele era um garoto que normalmente apresentava problemas na escola, estava sempre envolvido com brigas no recreio, não tolerava frustrações, repetente, e a solução para isso geralmente era a agressão física. Sabíamos que era rejeitado pela mãe e pelo padrasto e seu pai vivia com outra família, mas quero aqui justificar que nós, enquanto escola, fazíamos todo o possível para que A. melhorasse sua vida: ele era o único aluno da escola que participava do Projeto Canoagem proporcionado pela Prefeitura, ganhava roupas e alimentos das professoras e mesmo sem ter dinheiro sempre participava de passeios de lazer e culturais.

O texto de Jaqueline Picetti cita a violência sob os aspectos empiristas, inatistas, porém seu enfoque é sobre a forma como Piaget pesquisou a respeito. Acredito que fazendo um vínculo entre Piaget e a minha situação algumas questões são possíveis de se afirmar.
Primeira: Apesar de A. ter 12 anos na época do fato ocorrido, acredito que o referencial de justiça, intencionalidade, etc dele era menor, pois estava em fase de construção destes valores.
Segunda: A. avaliou o ato da menina apenas pelo possível resultado: o gesto do braço para cima poderia resultar num tapa talvez?!
E a terceira delas que para mim ficou mais evidente é que A. logo após o ocorrido esboçou reação de sanção ao seu ato. Ele expressava verbalmente que deveria ser severamente punido pelo cometido e inclusive citava idéias.
Finalizando, acredito parcialmente que A. estava tentando talvez fazer justiça a sua forma, mas também acredito que havia outros fatores preponderantes que contribuíram para o grau de violência empenhado pelo referido aluno.
Mais uma vez venho mencionar que esta experiência me abalou muito, inclusive emocionalmente na época, pois eu não havia visto na minha vida profissional a dimensão da fúria de um aluno e é por isso que talvez tenha me detalhado tanto ao relatar a situação.